Let’s Talk About [Games]: Mortal Kombat

Próximo à E3 de 2010, foi anunciado o novo jogo da série Mortal Kombat. Após a decepção que foi Mortal Kombat VS DC Universe para os fãs, Ed Boon prometeu uma total volta às origens nesta nova empreitada. Naquela época, foi liberado também um breve trailer mostrando o que seria uma jogabilidade 2D com gráficos 3D. E então, deu certo? Descubra nos próximos parágrafos.

Mortal Kombat (2011), como o nome já meio que sugere, consiste em uma espécie de reboot. O curioso é que o passado condenado da série ainda é levado em conta. No começo são mostradas as consequências do evento Armageddon: todos os guerreiros dos quatro reinos (Earthrealm, Edenia, Outworld e Netherrealm) estão mortos e Shao Kahn está na iminência de derrotar Raiden. Antes da condenação final, o deus do trovão envia para si mesmo no passado uma série de visões que tem como objetivo evitar os eventos que levariam ao Armageddon. Desse modo, o enredo do jogo engloba as histórias dos 3 primeiros jogos clássicos da série. Inclusive, trazer um modo história detalhado é um dos grandes diferenciais. Apesar de contar com momentos toscos e forçados, é muito legal saber, por exemplo, por que há a rixa entre Scorpion e Sub-Zero, por que Cyrax e Sektor viraram robôs (acredito que muitos jogadores das antigas nem desconfiaram que eles já foram humanos!), quem é Noob Saibot, etc. Pouquíssimos jogos de luta se dão a esse trabalho. No final, há um gancho para uma continuação ou um possível DLC relacionado à história.

Falando em coisas legais, é preciso destacar que o jogo foi inteiramente traduzido para o português brasileiro (sem dublagem). Atitude totalmente louvável por parte da produtora, mas temos alguns problemas aqui. Muitos dos textos do jogo apresentam erros básicos de ortografia, adequação e até formatação de texto. Grande parte desses equívocos poderia ser evitada mesmo com a revisão mais desleixada possível. Não há justificativa para lermos coisas como “Primer golpe” na tela do jogo. Até hoje me admira o fato da pérola “Mandou bem, neném!” não ter virado meme entre os gamers desse país! Outro ponto é terem traduzido termos consagrados como Outworld, que virou “Exoterra”. Não é necessariamente um erro, mas não precisava.

A Netherrealm Studios fez um trabalho ótimo no que diz respeito ao visual. Os gráficos são muito bonitos, apesar de podermos ver algumas texturas em baixa definição aqui e ali (mais visíveis nas cutscenes do modo história) e alguns problemas com cabelos compridos (principalmente na primeira roupa de Kitana). A direção de arte é muito competente em relação à maioria dos personagens. O design dos jogos clássicos foi resgatado e modernizado. Os cenários são ricos e se comportam de maneira bem orgânica. O mesmo pode-se dizer da parte sonora. As músicas não têm grande destaque, mas cumprem bem o papel. Os efeitos sonoros me lembraram os sons viscerais de God of War III, sem contar que é muito legal ouvir as porradas nas latarias dos robôs.

Dentre os modos de jogo locais, temos o já comentado modo História, Ladder (equivalente ao modo arcade dos clássicos), Tag Team Ladder (mesma coisa do Ladder, mas em duplas), Tutoriais, a terrível Challenge Tower (que possui desafios variados, partindo de coisas fáceis até chegar a verdadeiras proezas), Test Your Might, Test Your Sight, Test Your Strike e Test Your Luck (nesse são sorteados fatores que condicionarão a luta, como não poder usar os braços ou não pular), modo Versus para até 4 jogadores (podendo ser em duplas ou não). Como não tive condições de testar o modo online devido à inatividade recente da PSN, vou apenas citar os modos disponíveis com breve descrição: modo Versus, com partidas rankeadas ou não, que podem ser em dupla (sem parceiro, com parceiro local ou online) e King of The Hill, que simula o feeling de um fliperama(quem perde sai, os jogadores que esperam a sua vez podem assistir, fazer comentários e torcer). Há também a parte de extras, constituída da Krypt (onde é possível comprar com a moeda do jogo todo tipo de conteúdo) e a Nekropolis, onde se pode visualizar todo o material extra e estatísticas dos lutadores. A quantidade de conteúdo é muito grande, são artes conceituais, músicas, storyboards, dentre outras coisas.

Com certeza, o fator que mais preocupava os fãs era a jogabilidade. A boa e velha movimentação em 2D está de volta. Como em todo bom MK, ela é um pouco dura, mas aqui é visível certa fluidez. Os combos estão mais intuitivos, é muito bacana sair testando quais seqüências de botões se encaixam. Uma vez feito o combo, é possível encadeá-lo com um ataque especial, dependendo do alcance e timing. As partidas costumam ser equilibradas e cada personagem tem seu estilo próprio.

Os Fatalities e Stage Fatalities estão mais brutais do que nunca. Há aqueles que não são muito inspirados, outros muito bem bolados e os que chegam a causar repulsa. Eu não me considero um cara muito impressionável com esse tipo de coisa, mas cheguei a torcer pra o primeiro Fatality de Noob Saibot acabar mais rápido! Os Babalities também estão de volta, mas, dessa vez, empregados de forma muito mais criativa e engraçada. O bebê Kintaro é uma coisa impagável!

A novidade mais bem-vinda foram as barras que se localizam na parte inferior da tela. Elas são subdividias em 3: gastando uma delas, é possível desferir ataques especiais normais de maneira mais poderosa; com duas, é possível quebrar combos do adversário; acionando as 3 juntas, pode-se usar o X-Ray. Este último é um ataque que se assemelha aos Ultra Combos de Street Fighter IV. Caso consiga atingir seu adversário com ele, uma seqüência de golpes brutais é mostrada, dando ênfase visual aos danos internos causados nos ossos e órgãos da vítimas. Alguns são tão chocantes quanto um Fatality.

Outro aspecto importado dos jogos mais atuais de luta são as partidas em dupla. As transições entre cada lutador podem ser feitas de maneira suave ou encadeando combos e ataques especiais.

Mais um fator que vai arrebatar o coração dos mais nostálgicos é a presença de alguns segredos que remetem aos clássicos, as “lutas secretas”. Por exemplo, um determinado personagem aparece subitamente ao fundo no cenário. Se você apertar uma combinação de botões irá enfrentar ele (como em MK II). Existe um easter egg um tanto quanto “sacana” na Krypt, mas não vou contar pra não estragar a surpresa. Temos a volta triunfal do “TOASTY”! Sério, não tem sensação melhor do que acertar o terceiro gancho seguido e ver aquela figura carismática surgindo no canto direito inferior da tela (observem ele na foto abaixo).

Sendo assim, pode-se considerar Mortal Kombat (2011) como o retorno triunfal da série que os fãs tanto esperavam, introduzindo elementos novos e necessários à fórmula consagrada. Empatado com Street Fighter IV e Soulcalibur IV, é um dos melhores jogos de luta da geração até agora. E, apesar de não ser impecável, é um dos melhores que já joguei na vida.

 Mario Stars:  (4/5)

Peron Queiroz

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Uma resposta para Let’s Talk About [Games]: Mortal Kombat

  1. robsonb disse:

    Muito bom o post, bem colocado. Só acho que quem jogou UMK3 sabe da história do Sektor/Cyrax, os cyber-ninjas… 🙂

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