Let’s Talk About [Movies]: Rio

 

“Oh how I wish I was back in my cage, with my mirror, and my little bell. Ah-ah-ah”
Difícil criticar o filme Rio (Rio, 2011) quando se é brasileiro, já que trata-se de um filme – como o próprio título aduz – voltado muito mais à cidade do Rio de Janeiro do que suas personagens.

A premissa é simples: Acompanhamos a história de Blu, um arara azul que é levada para os Estados Unidos – é claro que o toque norte-americano era necessário – e, acidentalmente é encontrado por uma jovem humana (Linda), que com ele desenvolve uma “relação familiar”. A rotina dos dois é posta em conflito quando Túlio (cientista humano de aves, que inclusive pensa falar como uma) aparece no trabalho de Linda, informando-a que Blu e Jade (outra arara azul) são os únicos de sua espécie, e precisam procriar para a manutenção da mesma. Blu deve então ir para o Brasil para realizar tal “fardo” e não preciso falar que, como já dizia meu caro amigo narrador da sessão da tarde: Blu se mete em uma aventura radical, com uma galerinha do barulho enfrentando vilões da pesada na medida em que é seqüestrado com Jade por traficantes da favela – onde estava o capitão Nascimento aí? – e é obrigado a achar Linda novamente em uma cidade que não conhece.

Não é o enredo, entretanto, nem as personagens que dão a beleza ao filme; ao contrário, os personagens suporte de Rio carecem do humor adequado, e arrancam risadas apenas quando apelam pra estereótipos da cultura brasileira. A beleza maior está no visual: uma impecável escolha de palheta de cor. É uma verdadeira montanha russa de belezas que quando você termina você quer ver novamente. Essa montanha-russa torna-se ainda melhor quando por todo percurso ela é guiada por um bom samba e MPB, com direito aos clássicos da música nacional. São nomes de peso que compõem a mesa musical: Bebel Gilberto, Carlinhos Brown e até mesmo a pegada eletrônica de Will I. Am do Black Eyed Peas, que já se mostrou um apaixonado pelo ritmo brasileiro. Todos esses elementos são bem condensados pela direção de Carlos Saldanha, que já se mostrou competente em seu trabalho com Era do Gelo.

Entretanto, no final, abstraindo-se a sensação de homenagem à cultura carioca por um filme hollywoodiano, fica um leve gosto amargo na boca de que Rio é um filme introdutório à Copa do Mundo de 2014; um filme propaganda, que tenta vender o Carnaval como tudo. Em primeiro lugar, o filme já se passa no período do carnaval, e todos os pássaros e pessoas parecem saber os passos do samba. Além disso, dói um pouco ver um diretor brasileiro vendendo mais estereótipos aos estrangeiros de que no Brasil você só encontrará mini-roupas, carnaval, samba e macacos roubando coisas.

Chapéus Abaixados:    3/4

Haeckel Almeida

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