Let’s Talk About [Books]: Especial H. P. Lovecraft 03: Nas Montanhas da Loucura

Por Haeckel Almeida

Se escrever à respeito de Lovecraft – autor já dissecado em todas as suas extremidades – já é difícil, mais complicado ainda é analisar uma de suas obras mais complexas, encantadoras e fundamentais para a mitologia criada pelo mestre do horror.

Nas Montanhas da Loucura (At the Mountains of Madness, 1931) se inicia com um escrito do geólogo William Dyer, que tenta desestimular uma nova expedição ao inferno gélido da Antártica, após eventos indescritíveis, bizarros e aterrorizantes terem ocorrido em sua própria expedição, quando descobriram aquilo que parecia ser uma cordilheira maior e mais velha que o Himalaia, escondendo segredos indizíveis atrás de suas muralhas.

Nesta novela, Lovecraft se distancia do sobrenatural  – mas, nisto faz-se certa ponderação- e marca sua competência como um grande escritor de ficção-científica, ao invocar entidades alienígenas, guerras cósmicas e sua interessante teoria acerca da própria criação de vida no nosso planeta.

Os Antigos

 A ponderação feita acima se dirige ao fato de que, mesmo se tratando primordialmente de uma ficção-científica, Lovecraft não consegue deixar de lado o aspecto sobrenatural, de forma que ambos interagem de uma forma intrinsecamente necessária, quando percebemos que  as entidades alienígenas são tão incompreensíveis e insubstanciadas, que os velhos fantasmas das histórias de terror ordinárias se tornam… bem, velhos!

A narrativa segue a preferência notória do Autor, ou seja, em primeira pessoa e o texto segue quase sem dificuldades de compreensão, mas, infelizmente, não sem um pouco de cansaço!

O defeito desta obra poderia ser interpretado como uma qualidade, se não fosse utilizada com tanta ênfase. O quê acontece é simples: Ao tentar criar um depoimento verossímil, aproximando-se o máximo possível daquilo que seria o relato de um verdadeiro geólogo a demais profissionais da área, Lovecraft abusa dos termos técnicos, o que muitas vezes poderia ser substituído por uma mera descrição comum daquilo que era visto e, assim, evitar-se-ia a sensação de “Aula de geografia/biologia de pré-vestibular”, que em determinado momento,  se torna um pouco maçante.

Dyer e Danforth fugindo do Shoggoth!

Trata-se, entretanto, de uma narrativa fundamental à aqueles que pretendem compreender mais do Mito de Cthulhu, especialmente no que diz respeito aos Antigos e à origem dos Shoggoths,  além de ser uma obra repleta de mistério e existencialismo – afinal, quem não se simpatizou com os Antigos após a conclusão final de Dyer sobre a ação destes?

Vale ressaltar que uma adaptação desta obra já encontra-se à procura de elenco, e conta nada mais nada menos do que a direção de Guillermo del Toro e produção de James Cameron! Eu consigo pensar em poucas mentes criativamente capazes de adaptar este obra considera inadaptável!

E não percam o especial da próxima semana: O Caso de Charles Dexter Ward!

Especial: Parte 01 do especial! Parte 02 do Especial!

Chapéus Abaixados:  4/5

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