Let’s Talk About [Movies] – Especial Alfred Hitchcock 04 – Os Pássaros (The Birds, 1963)

Minha breve opinião sobre o filme:

Retomo com “Os Pássaros” o Especial Alfred Hitchcock, série de críticas dos mais importantes filmes do mestre do suspense. “Os Pássaros” não entra na minha lista de filmes preferidos de Hitchcock (lista esta integrada por “Um Corpo Que Cai”, “Janela Indiscreta”, “Intriga Internacional”, “Psicose”, “Interlúdio” , “O Festim Diabólico”, “Disque M Para Matar” e “Rebecca- A Mulher Inesquecível”), pois acho que os efeitos especiais do filme ficaram visualmente muito datados com o tempo (apesar de todo o esforço e do grande trabalho da produção do filme com os efeitos especiais, que eram bastante limitados na época), no entanto, é louvável o fato de que Hitchcock consegue criar, ao longo do filme, um clima angustiante, de paranóia e terror em torno de algo aparentemente sobrenatural: pássaros começam a atacar a população da cidade americana de Bodega Bay sem nenhuma explicação plausível. O que poderia ter acarretado isso? O grande mérito do filme é não responder a essa pergunta, deixando o espectador ainda mais curioso e tão angustiado quanto os personagens do filme.   

Fiquem abaixo com a crítica do filme.

Os Pássaros (The Birds, 1963)

Por Guilherme Vasconcelos

Hitchcock sempre foi mais um cineasta dos climas angustiantes, das atmosferas perturbadoras do que do medo propriamente dito. Seu foco era trabalhar os dilemas existenciais dos personagens, suas aflições psicológicas e de que maneira o homem comum, habituado com a mediocridade e estabilidade do cotidiano, reage diante de circunstâncias improváveis e extraordinárias provocadas pelo acaso ou, como em Os Pássaros, pelo sobrenatural.

Hitchcock fazia seus personagens sofrerem, fazia-os pagar por erros ou crimes que não cometeram para levar a cabo estudos sobre o comportamento humano em situações-limite. Como encaramos o imponderável? A quem ou ao que recorremos para nos livrar de uma circunstância sobre a qual não temos poder? Como nos comportamos diante dos obstáculos impostos pelo acaso? Recuamos diante deles ou partimos para o embate?

Essas eram, em geral, as perguntas que o cinema do mestre responde ou para as quais apenas aponta sugestões, possibilidades, caminhos. Os Pássaros é um filme de natureza psicológica, com um tom sobrenatural, enigmático. Não há um assassino, um vilão. O castigo para os homens é inumerável e vem do céu: pássaros, animais aparentemente inofensivos, começam a atacar humanos de maneira descontrolada na paradisíaca cidade litorânea de Bodega Bay. O paraíso, o lugar perfeito para se passar um fim de semana tranqüilo, aos poucos, transforma-se, sem qualquer explicação e sem poupar ninguém, em uma verdadeira carnificina.

A metamorfose de Bodega Gay tem início na famosa seqüência do bote, em que a personagem Melaine Daniels (interpretada por Tippi Hendren) atravessa a baía para entregar um presente – um casal de periquitos – a Mitch Brenner (Rod Taylor), homem solteiro por quem se apaixona logo após conhecê-lo em uma loja de pássaros. Na seqüência em questão, uma espécie de homenagem ao cinema mudo, Hitchcock, como lhe é peculiar, exibe um domínio completo das técnicas da arte de filmar. Praticamente sem o auxílio de sons, o diretor constrói significados e sensações “apenas” com imagens.

Nos três primeiros frames, o mestre, a partir de planos gerais, preocupa-se em mostrar a paisagem, em ambientar o espectador naquele lugar sossegado e inspirador. Depois, em um plano médio, a câmera se aproxima da personagem, mostra o que ela observa para, em seguida, concentrar-se na sua reação àquilo que vê. Hitchcock, então, fecha o enquadramento e passa a acompanhar a entrada de Daniels na casa de Mitch. Como se estivesse sugerindo que há alguém por perto, a câmera nos mostra, em uma rápida tomada, a casa de frente. Daniels sai apressadamente e Hitchcock se detém em suas costas: alguém a observa sem que ela saiba.

Ela retorna para o bote e a câmera fecha em seu rosto. A alternância de planos subjetivos e objetivos continua e a expectativa é acentuada. O espectador sabe que algo vai quebrar a normalidade da situação. Mitch surge e tem início uma troca de olhares à distância. Novamente, vemos o que cada um vê e depois somos convidados a interpretar suas expressões faciais. Ele se mostra surpreso e contente e ela parece deslumbrada. Pronto: parece que tudo se encaminha para um feliz encontro amoroso. Hitchcock, entretanto, prepara uma surpresa: um pássaro aparece de repente e ataca Daniels. A seqüência termina com um close na mão ensangüentada da personagem. A expectativa não foi em vão. Hitchcock nos diz que, apesar do cenário idílico, não estamos a ver um filme romântico. O presságio anuncia: a transformação de Bodega Bay já começou.

Os ataques se sucedem. Os questionamentos crescem. O pânico se espalha. Até as crianças são alvo de uma raiva inexplicável. O ódio é direcionado aos seres humanos. Somos nós os inimigos. O que fizemos? Hitchcock não responde. Ao contrário, faz questão de suscitar dúvidas – a seqüência do posto de gasolina, em que o diretor constrói um microcosmo de tipos humanos variados, é exemplar nesse sentido. Nada se resolve, nada é elucidado.

Os Pássaros não termina: o horror psicológico e a atmosfera atordoante – reforçados pelos efeitos sonoros assustadores que se confundem com o grasnar das aves – causados pela ferocidade de animais dos quais os seres humanos nunca esperaria agressividade continua a inquietar o espectador mesmo após o fim apocalíptico. O que tudo isso significa? Pouco importa. O foco de Hitchcock está em causar perturbação em quem vê, em mostrar ao homem, do alto de sua segurança e racional superioridade, seu papel e sua posição de fragilidade diante da imensidão e das incertezas do universo. A causa do medo não interessa: Hitchcock quer retirar o espectador da zona de conforto para fazer nascer nele uma inquietação ontológica.

Mario Stars:  (5/5)

Eduardo Vasconcelos

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Let’s Talk About [Games]: Mortal Kombat

Próximo à E3 de 2010, foi anunciado o novo jogo da série Mortal Kombat. Após a decepção que foi Mortal Kombat VS DC Universe para os fãs, Ed Boon prometeu uma total volta às origens nesta nova empreitada. Naquela época, foi liberado também um breve trailer mostrando o que seria uma jogabilidade 2D com gráficos 3D. E então, deu certo? Descubra nos próximos parágrafos.

Mortal Kombat (2011), como o nome já meio que sugere, consiste em uma espécie de reboot. O curioso é que o passado condenado da série ainda é levado em conta. No começo são mostradas as consequências do evento Armageddon: todos os guerreiros dos quatro reinos (Earthrealm, Edenia, Outworld e Netherrealm) estão mortos e Shao Kahn está na iminência de derrotar Raiden. Antes da condenação final, o deus do trovão envia para si mesmo no passado uma série de visões que tem como objetivo evitar os eventos que levariam ao Armageddon. Desse modo, o enredo do jogo engloba as histórias dos 3 primeiros jogos clássicos da série. Inclusive, trazer um modo história detalhado é um dos grandes diferenciais. Apesar de contar com momentos toscos e forçados, é muito legal saber, por exemplo, por que há a rixa entre Scorpion e Sub-Zero, por que Cyrax e Sektor viraram robôs (acredito que muitos jogadores das antigas nem desconfiaram que eles já foram humanos!), quem é Noob Saibot, etc. Pouquíssimos jogos de luta se dão a esse trabalho. No final, há um gancho para uma continuação ou um possível DLC relacionado à história.

Falando em coisas legais, é preciso destacar que o jogo foi inteiramente traduzido para o português brasileiro (sem dublagem). Atitude totalmente louvável por parte da produtora, mas temos alguns problemas aqui. Muitos dos textos do jogo apresentam erros básicos de ortografia, adequação e até formatação de texto. Grande parte desses equívocos poderia ser evitada mesmo com a revisão mais desleixada possível. Não há justificativa para lermos coisas como “Primer golpe” na tela do jogo. Até hoje me admira o fato da pérola “Mandou bem, neném!” não ter virado meme entre os gamers desse país! Outro ponto é terem traduzido termos consagrados como Outworld, que virou “Exoterra”. Não é necessariamente um erro, mas não precisava.

A Netherrealm Studios fez um trabalho ótimo no que diz respeito ao visual. Os gráficos são muito bonitos, apesar de podermos ver algumas texturas em baixa definição aqui e ali (mais visíveis nas cutscenes do modo história) e alguns problemas com cabelos compridos (principalmente na primeira roupa de Kitana). A direção de arte é muito competente em relação à maioria dos personagens. O design dos jogos clássicos foi resgatado e modernizado. Os cenários são ricos e se comportam de maneira bem orgânica. O mesmo pode-se dizer da parte sonora. As músicas não têm grande destaque, mas cumprem bem o papel. Os efeitos sonoros me lembraram os sons viscerais de God of War III, sem contar que é muito legal ouvir as porradas nas latarias dos robôs.

Dentre os modos de jogo locais, temos o já comentado modo História, Ladder (equivalente ao modo arcade dos clássicos), Tag Team Ladder (mesma coisa do Ladder, mas em duplas), Tutoriais, a terrível Challenge Tower (que possui desafios variados, partindo de coisas fáceis até chegar a verdadeiras proezas), Test Your Might, Test Your Sight, Test Your Strike e Test Your Luck (nesse são sorteados fatores que condicionarão a luta, como não poder usar os braços ou não pular), modo Versus para até 4 jogadores (podendo ser em duplas ou não). Como não tive condições de testar o modo online devido à inatividade recente da PSN, vou apenas citar os modos disponíveis com breve descrição: modo Versus, com partidas rankeadas ou não, que podem ser em dupla (sem parceiro, com parceiro local ou online) e King of The Hill, que simula o feeling de um fliperama(quem perde sai, os jogadores que esperam a sua vez podem assistir, fazer comentários e torcer). Há também a parte de extras, constituída da Krypt (onde é possível comprar com a moeda do jogo todo tipo de conteúdo) e a Nekropolis, onde se pode visualizar todo o material extra e estatísticas dos lutadores. A quantidade de conteúdo é muito grande, são artes conceituais, músicas, storyboards, dentre outras coisas.

Com certeza, o fator que mais preocupava os fãs era a jogabilidade. A boa e velha movimentação em 2D está de volta. Como em todo bom MK, ela é um pouco dura, mas aqui é visível certa fluidez. Os combos estão mais intuitivos, é muito bacana sair testando quais seqüências de botões se encaixam. Uma vez feito o combo, é possível encadeá-lo com um ataque especial, dependendo do alcance e timing. As partidas costumam ser equilibradas e cada personagem tem seu estilo próprio.

Os Fatalities e Stage Fatalities estão mais brutais do que nunca. Há aqueles que não são muito inspirados, outros muito bem bolados e os que chegam a causar repulsa. Eu não me considero um cara muito impressionável com esse tipo de coisa, mas cheguei a torcer pra o primeiro Fatality de Noob Saibot acabar mais rápido! Os Babalities também estão de volta, mas, dessa vez, empregados de forma muito mais criativa e engraçada. O bebê Kintaro é uma coisa impagável!

A novidade mais bem-vinda foram as barras que se localizam na parte inferior da tela. Elas são subdividias em 3: gastando uma delas, é possível desferir ataques especiais normais de maneira mais poderosa; com duas, é possível quebrar combos do adversário; acionando as 3 juntas, pode-se usar o X-Ray. Este último é um ataque que se assemelha aos Ultra Combos de Street Fighter IV. Caso consiga atingir seu adversário com ele, uma seqüência de golpes brutais é mostrada, dando ênfase visual aos danos internos causados nos ossos e órgãos da vítimas. Alguns são tão chocantes quanto um Fatality.

Outro aspecto importado dos jogos mais atuais de luta são as partidas em dupla. As transições entre cada lutador podem ser feitas de maneira suave ou encadeando combos e ataques especiais.

Mais um fator que vai arrebatar o coração dos mais nostálgicos é a presença de alguns segredos que remetem aos clássicos, as “lutas secretas”. Por exemplo, um determinado personagem aparece subitamente ao fundo no cenário. Se você apertar uma combinação de botões irá enfrentar ele (como em MK II). Existe um easter egg um tanto quanto “sacana” na Krypt, mas não vou contar pra não estragar a surpresa. Temos a volta triunfal do “TOASTY”! Sério, não tem sensação melhor do que acertar o terceiro gancho seguido e ver aquela figura carismática surgindo no canto direito inferior da tela (observem ele na foto abaixo).

Sendo assim, pode-se considerar Mortal Kombat (2011) como o retorno triunfal da série que os fãs tanto esperavam, introduzindo elementos novos e necessários à fórmula consagrada. Empatado com Street Fighter IV e Soulcalibur IV, é um dos melhores jogos de luta da geração até agora. E, apesar de não ser impecável, é um dos melhores que já joguei na vida.

 Mario Stars:  (4/5)

Peron Queiroz

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Let’s Talk About [Music]: Festa A Bolha

Pra quem gosta de boa música em Salvador existem poucas opções de festa. Entre essas poucas opções existe a novíssima festa A Bolha! Produzida pelos também Dj’s Lola B., El Cabong e Carol Morena, a festa tem uma proposta simples: tocar rock, o bom, velho e novo rock! De AC/DC a Two Door Cinema Club, de Beatles a Canse de Ser Sexy e de Jesus & Mary Chain a LCD Soundsystem a festa é pra dançar, gritar, sorrir e chorar ao som do rock, provando que este não morreu e que nem vai morrer!

A segunda edição da festa acontece HOJE, 07 de maio de 2011, às 23:00 horas no Farol do Rio Vermelho, que fica na Rua Odilon Santos, n. 224, e a entrada é só R$ 15,00! Hoje, a festa contará com mais de seis horas de discotecagem dos Dj’s Lola B., El Cabong, Carol Morena e Janocide. Além disso, nessa edição a festa está numa parceria com a Lab 344 – selo de música alternativa que lança os principais discos da boa música internacional no Brasil – e irá sortear CDs das bandas Two Door Cinema Club, Vampire Weekend, Superchunk e The Love Language. Não dá pra ficar em casa! 

O Dj convidado dessa edição, Janocide, foi um dos responsáveis, junto com El Cabong, pela festa rock mais famosa já existente nessa província, a festa Nave, que aconteceu mensalmente de 2005 a 2010 e fez a alegria das pessoas de bom gosto dessa cidade! Depois disso, não precisa nem falar que vale muito a pena conferir o set dele, que agora residindo em São Paulo, vem a cidade com aquele gostinho de nostalgia pra colocar a galera pra dançar muito ao som do bom rock, “com músicas que fizeram seus famosos sets na antiga festa e algumas novidades” – segundo conta o informativo da festa.

Os outros três Dj’s, já bem conhecidos pelas festas Top Top, Baile Esquema Novo e Clash, esta última em João Pessoa, prometem muito também. Segundo o informativo da festa, El Cabong “vai apresentar vários lançamentos e novidades do rock, além de clássicos recentes do rock mundial”, Lola B. “prepara um set com indies mais contemporâneos (Phoenix, Janelle Monaé, Two Door Cinema Club) e mashups” e Carolmorena “promete um set com roque, porra!” rs…

Enfim, quem esteve na primeira edição sabe que vale a pena! Eu tenho certeza que vou voltar pra casa morto, vai ser muito bom (na verdade eu queria usar palavrões)!

Lucas Amoedo

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Let’s Talk About [Movies]: Thor

“For Asgard”

Volto do cinema com um gosto bom na boca – apesar dos clichês típicos dos filmes hollywoodianos – ao ver que meu herói preferido na infância foi bem homenageado na telona.

Thor (Thor, 2011) conta a história de Thor (sério? Sim, sério!), um asgardiano – seres imortais que foram confundidos pelos nórdicos como deuses – que no dia de sua coroação como rei, comete um grave ato que faz seu pai, Odin, bani-lo para a terra, para que ele possa aprender um pouco sobre humildade e amadurecimento.

A Marvel Comics mostra com este filme que o lado mágico de seu universo também pode ser explorado com inteligência. O visual de Asgard é simplesmente magnífico, a ponto de deixar Senhor dos Anéis com um pouco de nariz torto. E nesse aspecto o filme se mostra extraordinário. Ao cair na Terra, entretanto, Thor literalmente perde sua magia; talvez porquê a Terra não tenha uma ponte tão legal quanto a de Asgard, mas, principalmente, porque o filme torna-se o velho clichê do filme de super-herói, com suas pitadas de comédia desnecessária e amor inacreditável: Thor com Sif (Jaimie Alexander ) do seu lado vai se apaixonar logo por Jane Foster (Natalie Portman )? Em apenas uma noite? Mas enfim, quem sou eu pra questionar a lógica do amor dos imortais, não é mesmo?

O que interessa é que, apesar dos pesares, as coisas boas de Thor superam em muito seus aspectos negativos, em parte pela sua acertada escolha de elenco. Anthony Hopkins, Tom Hiddleston e Chris Hemsworth fazem bonito na tela e as suas cenas juntos são sempre as melhores. É claro que personagens que deveriam ter mais destaque não tiveram, como os três guerreiros e Sif, sendo alguns até mesmo excluídos, mas estava claro que este era um filme que deveria ser focado no desenvolvimento de Thor e nos “segredos de família”. Outro ponto positivo foram as inúmeras citações do universo Marvel, que são uma ótima sobremesa para os quadrinistas de plantão, além da ilustre presença – como sempre – do mestre Stan Lee.

E para quem não sabe, o filme do Capitão América está vindo aí, ainda este ano, e próximo ano o filme dos Vingadores (Thor, Hulk, Capitão América e Homem de Ferro). Então, vale a pena conferir os filmes dessas franquias, pois, vê-los juntos será algo único na história do cinema.

E uma dica: para quem quiser saber um pouco da trama do filme dos Vingadores, espere passar os créditos do filme. É um saco, eu sei, mas, se você quiser, vale a pena.

Mario Stars:   ( 3/5 )

Haeckel Almeida

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Let’s Talk About [Games] : Top 10 Games de 2010

O ano de 2010 foi muito bom em questão de games, contando com vários lançamentos de peso para todas as plataformas. Como não tenho acesso a um Xbox 360 para conhecer os exclusivos da Microsoft, aqui vai uma lista baseada apenas na minha opinião sobre os melhores games do ano passado para consoles:

10 – Enslaved – Odyssey to The West (PS3, X360)

Grande injustiçado do ano, este jogo foi ofuscado pelos diversos blockbusters. Personagens carismáticos, gráficos deslumbrantes, história bem contada e o feeling de Uncharted fazem deste game uma experiência obrigatória. Vale, no mínimo, a alugada.

9 – Heavy Rain (PS3)

Praticamente um filme interativo, o sucessor espiritual de Indigo Profecy mostrou como devem ser os jogos do estilo adventure na era moderna. O maior diferencial é fazer você se emocionar com o que acontece na tela, principalmente por meio das situações tensas que lembram a série de filmes Jogos Mortais.

8 – Gran Turismo 5 (PS3)

Após uma grande quantidade de polêmicas e adiamentos, GT5 finalmente chegou às prateleiras. Não tão forte em questão de gráficos, o jogo mostra seu poder com uma quantidade de conteúdo absurda, simulação mais apurada do que nunca e suporte a uma verdadeira comunidade para os jogadores. Photo mode, modalidades kart e nascar são algumas das novidades bem vindas.

 7 – Bioshock 2 (PS3, X360, PC)

Não evoluiu nada graficamente em relação ao seu antecessor, mas tudo o que vimos de bom no primeiro jogo (ambientação impressionante e narrativa intrigante) está de volta. Só isso já o credencia como um dos melhores jogos do ano. Há também uma leve melhoria na jogabilidade e a adição de um modo multiplayer interessante.

6 – NBA JAM (Wii, PS3, X360)

Um dos oito jogos de esporte mais divertidos de todos . Essa é a opinião de uma pessoa que nunca se importou com basquete antes. Mais um que apelou pra a nostalgia, NBA JAM traz de volta a magia da melhor série de jogos estilo arcade para basquete, em que algumas regras do esporte dão lugar a jogadas inusitadas e espetaculares.

5 – Metroid – Other M (Wii)

Other M chegou pelas mãos da Team Ninja para interromper a sequência dos excelentes jogos da série voltados para o gênero First Person Shooter. O game possui uma jogabilidade dinâmica que alterna entre visão em terceira e primeira pessoa, belos gráficos e lançou uma luz no obscuro passado de Samus Aran, dando uma ênfase bem maior do que o normal ao enredo. É a primeira vez que presenciamos a protagonista falar. O jogo é ótimo, mas não chega perto do marco que foi Metroid Prime.

4 – God of War III (PS3)

Com o melhor capítulo da série, God of War alcança seu nível de maturação apenas aprimorando os conceitos empregados desde o primeiro jogo da franquia. Como sempre, jogabilidade fluida, gráficos de ponta (que chegam a desbancar Uncharted 2, na minha opinião), QTE’s de sobra, batalhas absurdamente épicas, e um verdadeiro massacre de divindades.

 3 – Donkey Kong Country Returns (Wii)

A melhor surpresa da Nintendo na E3 (depois do 3DS, é claro) chegou para suprir uma lacuna que entristecia os fãs da série há muitos anos. Brilha novamente a estrela da Retro Studios, estúdio que desenvolve exclusivamente para a Big N e foi responsável por trazer a franquia Metroid com louvor à era 3D. O jogo é, ao mesmo tempo, muito diferente dos anteriores e um fan service total. A nostalgia bate forte com os temas clássicos remixados já na tela de press start. Os cenários são interativos e transpiram vida. Em resumo: é, o mínimo, uma ótima homenagem aos que jogaram os clássicos da era 16 bits. Um dos melhores jogos de plataforma de todos os tempos.

2 – Super Mario Galaxy 2 (Wii)

Sim, a Nintendo conseguiu de novo. Depois de revolucionar o gênero de plataforma 3D com o impecável Super Mario Galaxy, aqui nós encontramos uma versão refinada do seu antecessor. A narrativa volta a não ter importância e a inventividade reina absoluta, como sempre foi feito antes de Mario Sunshine. Dentre as novidades, estão a presença do Yoshi e novas habilidades para Mario, como a transformação em rocha e o uso da broca.

 1 – Red Dead Redemption (PS3, X360)

 

Após abalar a indústria do entretenimento com GTA IV, a Rockstar mantém o seu padrão de excelência com um verdadeira ode ao gênero Western em Red Dead Redemption. Prepare-se para testemunhar perseguições, tiroteios e duelos épicos; observar o mais belo pôr do Sol e alguns dos cenários mais bonitos da história dos videogames; arrumar brigas e jogar pôquer apostado nos saloons; caçar (ou ser caçado por) animais selvagens e desfrutar de um ótimo multiplayer (infelizmente muito prejudicado pelo sistema de matching). E ainda tem a expansão Undead Nightmare, praticamente um novo jogo! OUTLAWS TO THE END!

Menções honrosas: Silent Hill – Shattered Memories (Wii, PS2, PSP), Need For Speed – Hot Pursuit (PS3, X360, PC), Call of Duty – Black  Ops (Wii, NDS, PS3, X360, PC), Bayonetta (PS3, X360), Super Street Fighter IV (PS3, X360, Arcade), Mafia II (PS3, X360, PC), Vanquish (PS3, X360), Castlevania: Lords of Shadow (Ps3, X360).

Peron Queiroz

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Let’s Talk About [Music]: Blood Pressures

Lançado agora em Abril de 2011, o quarto álbum da dupla The Kills já deu o que falar. Hoje, após a glória e o fim do White Stripes, pode-se dizer que as duplas são os novos quartetos do rock alternativo. Isso mesmo, Best Coast, She & Him,  Death From Above 1979,  Sleigh Bells, The Kills e vários outros duos estão modificando a tradicional formação das bandas de rock e garantindo lugar de destaque nos grandes festivais, mas é claro que com a ajuda de uma programaçãozinha de som.

 O The Kills, já não tão novo assim, formado em 2000 por Alison “VV” Mosshart nos vocais e na guitarra, e Jamie “Hotel” Hince nos vocais, guitarra e na bateria, faz um som que pode ser interpretado como rock simples, baseado no essencial, às vezes lento, às vezes bem pulsante. De letras simples, sobre sexo, amor e etc, as músicas do duo são bem contagiantes desde o primeiro álbum, o  “Keep on Your Mean Side” (2003).

O casal – que não é um casal de verdade – tem um show bem intenso, que não deixa sobrar espaço no palco e da vontade de dançar. Já testemunhei um show da banda e, esse ano, escalados para o Coachella – um dos mais impostantes festivais de música dos Estados Unidos – receberam críticas extremamente positivas pela apresentação das músicas antigas e das novas.

O quatro álbum, “Blood Pressures” (2011), continua por fazer o que a banda sempre fez, rock alternativo de qualidade – trazendo as influências americanas da “VV” e britânicas do “Hotel” – só que de forma mais suave, com guitarras mais bem colocadas e ritimo mais consistente, preocupado somente com o essencial. Já há até quem diga que algumas músicas do álbum, como “Nail In My Coffin”, “Future Starts Slow” e “Satellite”, concorrem seriamente como melhor música do ano até agora, e olha que até Strokes já lançou disco esse ano. Vale a pena ouvir!

Fica ai o primeiro clipe do novo álbum, “Satellite”, e um vídeo só com o áudio de “Nail In My Coffin”:

 Mario Stars:  ( 4/5 )

Lucas Amoedo

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Let’s Talk About [Games]: O clássico punk-hardcore Battletoads!

Battletoads é um dos games mais lendários já lançados para videogames! E muito da sua fama se deve a sua extrema dificuldade, sendo, talvez, o jogo mais difícil já lançado para consoles.

O jogo, um verdadeiro clássico da pancadaria, foi lançado em 1991 pela empresa Tradewest (sendo desenvolvido pela Rare) e popularizado principalmente em duas plataformas: Megadrive e SNES.  O enredo gira em torno de dois sapos mutantes adolescentes, Rash e Zitz, que devem salvar seu irmão Pimple e a Princesa Angelica da malvada Dark Queen, líder do planeta Ragnarok, com a ajuda do Professor T. Bird e sua nave espacial, The Vulture.

A jogabilidade é o tradicional 2D “beat-em-up” em que o jogador avança andando pela direita derrotando inimigos e obstáculos até chegar ao big boss no final da fase, a exemplo do também clássico Streets of Rage (game que eu farei uma análise em outra oportunidade). O game ficou famoso não só pela sua dificuldade elevada mas também pelo humor visual (os golpes finais dos Toads são bastante engraçados), pelos gráficos avançados para a época e pela ótima trilha sonora.

"It's too orangey for crows." Not sure how the Kia Ora crows ended up in Battletoads.

Em contraste com muitos jogos, que se tornam gradualmente mais difíceis, a terceira fase de “Battletoads” apresenta um grande aumento de dificuldade ( a terceira fase, também conhecida como fase da corrida ou o windtunnel). Para agravar este problema, “Battletoads” dá ao jogador limitados “continues” ao ser derrotado (muitos outros jogos deste porte dão ilimitadas chances), e não tem password para salvar a posição do jogador. Apenas os mais dedicados jogadores chegam até a metade deste jogo.

Dois jogadores cooperando um com o outro geralmente terminam um jogo mais facilmente, mas “Battletoads” se torna mais difícil desta maneira, principalmente nas fases de corrida. Se um dos jogadores colidir com um obstáculo durante a corrida, ambos voltam ao início da fase, reiniciando tudo.

Punching out the robots let you use their legs as a weapon.

Além do jogo de 1991, foi lançada em 1993 uma versão chamada “Battletoads & Double Dragon”, um crossover entre os sapos e os personagens da série “Double Dragon”, sendo mantidas várias das características do jogo original.

Esse grande clássico dos games é recomendado apenas para os jogadores mais experientes e que tenham bastante tempo e paciência para passar várias horas jogando e se aperfeiçoando nas fases dificílimas. Senão, meu amigo, será game over na certa!

OBS: No segundo vídeo que eu postei aí embaixo, um cara, milagrosamente, conseguiu passar de uma das fases mais hardcores do game: a já citada windtunnel (percebam que a velocidade dos obstáculos no final da fase é absurda!), um feito para poucos gamers, diga-se de passagem!

Eduardo Vasconcelos

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